
O conceito de Chi

Ideograma grafado de Ki, Qi ou Chi
O significado etimológico do ideograma qi (" 氣") na sua forma tradicional mais conhecida é uma imagem do “vapor ( 气) subindo do arroz ( 米) enquanto cozinha”. É frequentemente traduzido como "ar" ou "respiração", por exemplo, o termo chinês que significa "respiração" é tiānqì, ou a “respiração do céu”. Concepções filosóficas do qi são encontradas desde o início da história registada do pensamento chinês. Referências ao Qi ou conceitos filosóficos semelhantes relativos a um tipo de energia metafísica que permeia e sustenta os seres vivos são encontradas em vários sistemas de crenças, presentes em culturas de todo o mundo, especialmente na Ásia. Uma das mais importantes figuras da mitologia chinesa é Huang Di, ou o Imperador Amarelo. Ele é considerado um herói cultural que colectou e formalizou muito do que subsequentemente se tornou conhecido como medicina tradicional chinesa. A compreensão do conceito de Qi é um fundamento desta forma de medicina tradicional. Apesar do conceito de qi ser muito importante em diversas filosofias orientais, sua descrição é variada e inclui aspectos conflitantes entre as diferentes versões. Algo natural considerando-se os milhares de anos, os diversos países e grupos sociais que participam da elaboração desta tradição. Uma questão significativa é a de se o qi existe como uma força separada da matéria, se o qi surge a partir da matéria ou se a matéria surge do qi. Alguns budistas e taoistas são a favor do terceiro conceito, alguns budistas acreditam que a matéria é uma ilusão. Os neoconfucionistas assumem outra posição: criticam a noção de que o qi exista separado da matéria, acreditam que o qi emerge das propriedades da mesma. A maioria das teorias do qi como uma metáfora das propriedades físicas fundamentais do universo foram sistematizadas e promulgadas nos últimos milhares de anos pelos neoconfucionistas e transmitidas com o apoio das dinastias chinesas.
O Chi é a força da vida, a energia imaterial omnipresente que no seu fluxo anima todos os seres vivos e permeia o Universo, ligando todas as coisas como um todo. A energia Chi ou energia vital é a energia de vida que o corpo de qualquer ser vivo produz, proveniente de diversas fontes como o ar, a água, os alimentos e o sol, estando o seu estado de saúde dependente do maior ou menor grau de harmonia e fluidez dessa energia. Esta energia tem tantas designações quantas as culturas existentes; por exemplo, os Russos chamam-lhe Energia Bioplasmática, os Hunas da Polinésia chamam-lhe Mana, os Índios Iroqueses Americanos chamam-lhe Orenda, na Índia chama-lhe Prana, nos Países Islâmicos designam-na por Baraka e por Chi na China. O Chi é uma energia que circula livremente alimentando os ambientes e os seres deste fluxo de energia vital. Sem o fluxo de Chi não existiria vida no planeta. Porém estados de desarmonia física, mental, espiritual e / ou emocional levam a que a passagem do Chi seja obstruída em determinados locais do nosso corpo, e então, os reflexos a nível físico dão-se sob a forma daquilo que normalmente designamos de doenças. Enquanto um ser está vivo, possui força vital circulando-o e cercando-o; quando o Chi deixa o organismo, a vida cessa. Se a sua força vital está fraca, ou se existe bloqueios no seu fluxo, você se sentirá mais fraco, deprimido e estará mais vulnerável a doenças. Quando está alta, e a fluindo livremente, dificilmente adoecerá e sentir-se-á forte, confiante e preparado para enfrentar a vida. O equilíbrio da nossa energia Chi, é assim essencial para que o organismo tenha um funcionamento perfeito pois está constantemente a ser desequilibrado com angústias, depressões, pensamentos e atitudes negativas, alimentação incorrecta, preocupações excessivas, falta de autoconfiança, de amor-próprio e auto-estima, de entre outros factores. Recebemos Chi pelo ar que respiramos, pela nossa alimentação, a luz solar e pelo sono. É possível também aumentar o nosso Chi através de exercícios físicos, técnicas de respiração e de meditação. O Chi é usado por atletas das marciais no seu treino físico e desenvolvimento espiritual. É usada em exercícios de respiração meditativos chamados Prana-yama, e pelos xamãs de todas as culturas para adivinhação e ciência, manifestação e cura psíquicas. Todos os terapeutas holísticos trabalham com a energia Chi, embora cada um a chame e a entenda como quiser. Os efeitos orgânicos que muitos atribuem à energia Chi são considerados até mesmo pela medicina moderna. O fluxo de Chi sobre um organismo é directamente proporcional à qualidade dos pensamentos e sentimentos do indivíduo. São os nossos pensamentos e sentimentos negativos que causam interrupções no fluxo de Chi no nosso corpo. Os locais onde pensamentos e sentimentos negativos se concentram são onde o fluxo de Chi se restringe. Nesses pontos o organismo funciona mal e podem surgir doenças. Mesmo a medicina ocidental moderna reconhece a influência da mente sobre a condição orgânica e muitos médicos ocidentais apontam 98% das doenças como consequência directa ou indirecta do estado de espírito do doente. Deve ser compreendido que a mente não existe apenas no cérebro; este é apenas seu centro funcional, mas o sistema nervoso estende a consciência e subconsciência a cada órgão e tecido do corpo. Ademais, a parapsicologia sabe que a mente se estende num subtil campo de energia de cerca de 60 a 90 centímetros chamado Aura. Por causa disso, não se pode analisar separadamente a mente do corpo, já que estão ligados. Tal como o estado da mente é influenciado pelo estado do corpo, este é influenciado pelo estado de espírito. No Extremo Oriente, a compreensão e controlo do fluxo do Chi (energia) é a base de sistemas de cura tradicionais como, por exemplo, a Acupunctura, e ainda artes marciais, como o Tai Chi, o Qi Kung. Pelo que, nestas artes os exercícios que realizam visam desenvolver e aumentar o nosso Chi ou Energia de Vida. Opte por uma modalidade que vá de encontro às necessidades do seu corpo e da sua mente.
O Qi na Medicina Tradicional Chinesa
A teoria da Medicina Tradicional Chinesa afirma que o corpo tem padrões naturais de Qi que circulam por canais denominados meridianos em Português. Não é possível entender completamente o conceito de qi em Medicina Tradicional Chinesa sem compreender também o conceito de Yin e Yang, já que os teóricos da Medicina Tradicional Chinesa, como Zhang Zai (1020-1077 d.C) e Xun Kuang (313-238 a.C.), consideravam Qi como uma coisa material e imaterial ao mesmo tempo, e que tem capacidade de se manifestar de diferentes formas, dependendo apenas de sua tendência para Yin ou Yang. Sintomas de diversas doenças são atribuídos a bloqueios, desequilíbrios e rupturas no movimento da energia vital através dos meridianos, assim como às deficiências e desequilíbrios do Qi nos vários órgãos e vísceras Zang Fu. A Medicina Tradicional Chinesa geralmente procura aliviar estes desequilíbrios ajustando a circulação do Qi no corpo empregando diversas técnicas terapêuticas, por exemplo:
a tratamentos com medicamentos a base de ervas;
a alimentação baseada na Teoria dos Cinco Elementos;
os treinamentos físicos como o qigong, o Tai Chi Chuan e outras artes marciais que incluem o conceito de Chi entre seus princípios filosóficos e o trabalham tanto para a autodefesa como para assegurar a saúde;
a massagem Tui Na como método efectivo para desfazer bloqueios e revigorar o paciente;
e a Acupuntura, como método para redireccionar ou equilibrar o qi através de finas agulhas de metal inseridas na pele.
O Qi nas artes marciais
Qi é um conceito fundamental compartilhado por diversas artes marciais de origem oriental, é destacado especialmente nas artes marciais internas (Neijia) de origem chinesa, que incluem entre outras o Tai Chi Chuan. É também um dos fundamentos básicos das práticas de Qigong, exercícios de origem chinesa para ampliar a energia vital que também são praticados fora do contexto das artes marciais como métodos para manter e recuperar a saúde. No contexto das artes marciais internas a existência do Qi normalmente não é questionada, é tratada como um fenómeno que pode ser experienciado e testado por aqueles que se dedicam a estes exercícios. A prática é considerada fundamental para desenvolver a compreensão do Qi, é considerado um fenómeno que não pode ser explicado apenas através de palavras. Existem mestres de qigong que alegam ser capazes de manipular seus adversários a distância através do Qi. Muitos praticantes de artes marciais duvidam da veracidade de tais demonstrações. Uma história clássica é a de dois oponentes que se cumprimentam antes de uma luta, sentindo seus respectivos Qi, assim o que tinha a energia mais fraca desiste da luta sem que se tenha trocado qualquer golpe. Algumas escolas também atribuem a este conceito um aspecto metafísico ou espiritual (que em alguns contextos assume também um carácter religioso). O local de origem a partir de onde o Qi circula pelo corpo do seria uma área no abdómen, denominada Dantian/Tan tien (significa em chinês campo de cultivo). O conceito de Qi é por vezes expandido para incluir também a energia exterior que vêm do Céu e da Terra, Ching Sheng Li . Os princípios biológicos e físicos que garantem os resultados destas práticas começam a ser estudados actualmente, como explicação inicial pode ser considerada uma combinação dos seguintes aspectos: poderosas técnicas de visualização; relaxamento absoluto, que pode afectar a maneira como os músculos funcionam; adequação da postura corporal; eficácia da respiração ampliada; efeitos subtis sobre o sistema nervoso; e também desenvolvimento da capacidade de afectar a mente do parceiro /adversário.